22/09/2026

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Primavera tem previsão de ondas de calor e chuvas acima da média em SP

A primavera começa nesta terça-feira (22), às 21h05 (de Brasília), e deve transcorrer com grande influência do El Niño em todo o país, preveem os institutos de meteorologia. A estação termina no dia 21 de dezembro, às 18h50.

A expectativa é que o fenômeno climático se torne o mais intenso já registrado. Segundo o último relatório da Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), há 97% de probabilidade de o El Niño atingir nível muito forte ainda em setembro.

Os impactos esperados em anos de El Niño é o aumento da chuva no Sul do Brasil e, ao mesmo tempo, a redução das precipitações sobre as regiões Norte e Nordeste, o que causa o prolongamento do período seco natural. Este ano, porém, a previsão é de que esses efeitos se acentuem ainda mais.

Mapa mostra a previsão de temperatura na primavera de 2026, com destaque para o calor muito acima da média em grande parte do país – Reprodução Climatempo

As tempestades que inundaram várias cidades do Vale do Ribeira, no sul de São Paulo, na última semana, já foram uma demonstração do que deve ser o restante da estação.

Além do Rio Grande do Sul, palco da tragédia de 2024, os temporais frequentes também são esperados no centro-sul de Mato Grosso do Sul e de São Paulo. A Climatempo também indica que áreas como o sul do Rio de Janeiro, sul de Minas, Triângulo Mineiro e sul de Goiás devem ter um pouco mais de chuva do que o normal.

Os motivos para essa concentração de precipitação são as frentes frias, que continuam chegando do Sul, e o corredor de umidade que vem da amazônia. Por isso, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) destaca que esse fluxo alimenta o período chuvoso nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, além de parte do centro-sul da região Norte.

Outro impacto do El Niño que deve ser sentido nas próximas semanas é o aumento das temperaturas, com elevado risco de ondas de calor a partir de outubro.

Segundo os critérios do Inmet, uma onda de calor ocorre quando a temperatura máxima diária ultrapassa a máxima média mensal em 5°C ou mais durante cinco ou mais dias consecutivos.

No Sudeste e no Centro-Oeste, a Nottus, consultoria meteorológica para negócios, afirma que os períodos de calor intenso devem ser menos prolongados e alguns dias ainda devem ser frios no começo da estação, devido às frentes frias.

Na região metropolitana de São Paulo, o volume de chuva acima do esperado deve ajudar a elevar os níveis dos mananciais de água, que já tiveram uma melhora desde o início de setembro.

A precipitação esperada para toda a primavera na capital paulista é 365,1 mm, de acordo com o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) da prefeitura.

“As chuvas começam a ficar gradativamente mais intensas e frequentes, até o estabelecimento da estação chuvosa comum nos meses de verão. Todas essas variações influenciam as temperaturas, com médias históricas entre 16,6°C e 18,7°C para as mínimas e 26,3°C e 28,2°C para as máximas”, diz o técnico em meteorologia do CGE Adilson Nazário.

Em praticamente todo o país, a Climatempo prevê temperaturas médias acima e muito acima do normal. As regiões mais quentes devem ser o extremo norte de Minas Gerais, o norte de Goiás e de Mato Grosso, o interior dos estados do Nordeste, Tocantins, Pará, leste do Amazonas e Roraima. Estas regiões devem experimentar muitos dias com calor acima dos 40°C.

Previsão muda ao longo da primavera

Em outubro, as chuvas mais fortes devem continuar concentradas no Sul e em parte do Sudeste e do Centro-Oeste, sob influência do El Niño, informa a Nottus. As precipitações também se espalham pela porção oeste da amazônia. No Nordeste, Pará, Amapá e Tocantins, as ondas de calor e o tempo mais firme ainda devem predominar.

Em novembro, o risco de chuvas fortes e eventos extremos se mantém entre os estados do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul. As chuvas também alcançam as demais áreas do Sudeste e do Centro-Oeste, além de Acre, Rondônia e Amazonas. Já o norte de Minas Gerais, o Nordeste e parte do Norte devem registrar chuva abaixo da média.

Em dezembro, o El Niño permanece atuante e mantém as condições para chuvas e ventos fortes no Sul e nas áreas mais ao sul do Sudeste e do Centro-Oeste.

A frequência e a intensidade das chuvas também exigem atenção do comércio de varejo, destaca a Nottus. Episódios de chuva forte podem afetar temporariamente o transporte de cargas, a distribuição de mercadorias e a circulação de consumidores, o que causa uma preocupação nos comerciantes.

Reportagem de Claudinei Queiroz do jornal Folha de São Paulo.

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