Primavera tem previsão de ondas de calor e chuvas acima da média em SP
A primavera começa nesta terça-feira (22), às 21h05 (de Brasília), e deve transcorrer com grande influência do El Niño em todo o país, preveem os institutos de meteorologia. A estação termina no dia 21 de dezembro, às 18h50.
A expectativa é que o fenômeno climático se torne o mais intenso já registrado. Segundo o último relatório da Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), há 97% de probabilidade de o El Niño atingir nível muito forte ainda em setembro.
Os impactos esperados em anos de El Niño é o aumento da chuva no Sul do Brasil e, ao mesmo tempo, a redução das precipitações sobre as regiões Norte e Nordeste, o que causa o prolongamento do período seco natural. Este ano, porém, a previsão é de que esses efeitos se acentuem ainda mais.

As tempestades que inundaram várias cidades do Vale do Ribeira, no sul de São Paulo, na última semana, já foram uma demonstração do que deve ser o restante da estação.
Além do Rio Grande do Sul, palco da tragédia de 2024, os temporais frequentes também são esperados no centro-sul de Mato Grosso do Sul e de São Paulo. A Climatempo também indica que áreas como o sul do Rio de Janeiro, sul de Minas, Triângulo Mineiro e sul de Goiás devem ter um pouco mais de chuva do que o normal.
Os motivos para essa concentração de precipitação são as frentes frias, que continuam chegando do Sul, e o corredor de umidade que vem da amazônia. Por isso, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) destaca que esse fluxo alimenta o período chuvoso nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, além de parte do centro-sul da região Norte.
Outro impacto do El Niño que deve ser sentido nas próximas semanas é o aumento das temperaturas, com elevado risco de ondas de calor a partir de outubro.
Segundo os critérios do Inmet, uma onda de calor ocorre quando a temperatura máxima diária ultrapassa a máxima média mensal em 5°C ou mais durante cinco ou mais dias consecutivos.
No Sudeste e no Centro-Oeste, a Nottus, consultoria meteorológica para negócios, afirma que os períodos de calor intenso devem ser menos prolongados e alguns dias ainda devem ser frios no começo da estação, devido às frentes frias.
Na região metropolitana de São Paulo, o volume de chuva acima do esperado deve ajudar a elevar os níveis dos mananciais de água, que já tiveram uma melhora desde o início de setembro.
A precipitação esperada para toda a primavera na capital paulista é 365,1 mm, de acordo com o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) da prefeitura.
“As chuvas começam a ficar gradativamente mais intensas e frequentes, até o estabelecimento da estação chuvosa comum nos meses de verão. Todas essas variações influenciam as temperaturas, com médias históricas entre 16,6°C e 18,7°C para as mínimas e 26,3°C e 28,2°C para as máximas”, diz o técnico em meteorologia do CGE Adilson Nazário.
Em praticamente todo o país, a Climatempo prevê temperaturas médias acima e muito acima do normal. As regiões mais quentes devem ser o extremo norte de Minas Gerais, o norte de Goiás e de Mato Grosso, o interior dos estados do Nordeste, Tocantins, Pará, leste do Amazonas e Roraima. Estas regiões devem experimentar muitos dias com calor acima dos 40°C.
Previsão muda ao longo da primavera
Em outubro, as chuvas mais fortes devem continuar concentradas no Sul e em parte do Sudeste e do Centro-Oeste, sob influência do El Niño, informa a Nottus. As precipitações também se espalham pela porção oeste da amazônia. No Nordeste, Pará, Amapá e Tocantins, as ondas de calor e o tempo mais firme ainda devem predominar.
Em novembro, o risco de chuvas fortes e eventos extremos se mantém entre os estados do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul. As chuvas também alcançam as demais áreas do Sudeste e do Centro-Oeste, além de Acre, Rondônia e Amazonas. Já o norte de Minas Gerais, o Nordeste e parte do Norte devem registrar chuva abaixo da média.
Em dezembro, o El Niño permanece atuante e mantém as condições para chuvas e ventos fortes no Sul e nas áreas mais ao sul do Sudeste e do Centro-Oeste.
A frequência e a intensidade das chuvas também exigem atenção do comércio de varejo, destaca a Nottus. Episódios de chuva forte podem afetar temporariamente o transporte de cargas, a distribuição de mercadorias e a circulação de consumidores, o que causa uma preocupação nos comerciantes.
Reportagem de Claudinei Queiroz do jornal Folha de São Paulo.
