James Hetfield explica por que o Metallica não fala de política em shows

Em uma recente apresentação durante a residência do Metallica no The Sphere, em Las Vegas (EUA), o vocalista e guitarrista James Hetfield abordou a postura da banda em relação a manifestações políticas no palco. O músico enfatizou que o objetivo do grupo é proporcionar entretenimento e união entre os fãs, em vez de influenciar o público com posicionamento político.
Agradecendo aos fãs que viajaram de diversas partes do mundo para assistir ao show no The Sphere, Hetfield declarou a respeito da “agenda” do Metallica (via Loudwire):
“A menos que você more em Vegas, você viajou uma longa distância para passar um tempo com o Metallica. Somos gratos por isso — pelas suas viagens, pelo dinheiro que gastaram, pelo tempo investido, obrigado por virem celebrar conosco.”
Em seguida, ele acrescentou:
“E eu só preciso dizer o seguinte: o Metallica não está aqui, como alguns outros artistas, para influenciar vocês com baboseira, ok? Estamos aqui… sem baboseira… estamos aqui para esquecer de todas as coisas do mundo exterior, ok? A agenda do Metallica é amor, energia e música pesada, baby!”
Metallica, James Hetfield e política
A fala de Hetfield reflete uma posição mantida há anos pelos integrantes do Metallica. Embora o grupo tenha composto faixas com críticas sociais e políticas ao longo da carreira — como a faixa-título do álbum …And Justice for All (1988) —, a banda prefere não adotar bandeiras partidárias nem discursar sobre o tema durante suas apresentações.
Em entrevista à BBC em 2016, Hetfield argumentou:
“Ficamos longe de política e de religião. Isso só parece polarizar as pessoas ainda mais. Todos nós temos nossas próprias crenças, mas, no fim das contas, estamos tentando nos conectar com as pessoas, e parece que visões políticas não fazem isso tanto quanto a música.”
Em 2017, ao veículo chileno La Tercera, o vocalista reforçou:
“Eu sou um cantor e guitarrista em uma banda de rock. Eu odeio política. Não quero falar sobre política. O que é importante para mim é conectar as pessoas com a música. Política e religião separam as pessoas.”
Reportagem de Guilherme Gonçalves pela Rollingstone.
