22/10/2026

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El Niño pode atingir pico de intensidade histórica nos próximos meses; entenda como o fenômeno vai afetar o tempo em São Paulo

NOAA confirma aquecimento atípico no Oceano Pacífico e prevê que El Niño pode manter intensidade máxima durante o verão

Temperatura bem acima dos 2°C usados como referência informal para um Super El Niño/Foto: Divulgação/Unsplash

O El Niño está ganhando força e pode atingir intensidade histórica nos próximos meses. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o fenômeno deve continuar se intensificando até o fim de 2026, com possibilidade de permanecer forte a muito forte entre janeiro e março de 2027.

A previsão aumenta a atenção para possíveis mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas em diferentes regiões do planeta.

O boletim divulgado em 8 de outubro pela agência americana aponta que a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 apresentou uma anomalia de 2,1 °C. Em algumas áreas do Pacífico Equatorial oriental, os valores ultrapassaram 4 °C acima da média.

Esses números indicam o fortalecimento do fenômeno, que ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial central e oriental ficam mais quentes do que o normal. No entanto, embora episódios intensos aumentem a probabilidade de determinados impactos climáticos, seus efeitos não são iguais em todas as regiões e não podem ser considerados garantidos.

Como o El Niño se forma?

O El Niño faz parte do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS), um sistema climático que envolve a interação entre o oceano e a atmosfera. Sua fase oposta é a La Niña, caracterizada pelo resfriamento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial central e oriental.

Em condições normais, os ventos alísios sopram de leste para oeste e empurram as águas mais quentes em direção à região da Indonésia e da Austrália. Ao mesmo tempo, águas mais frias sobem das profundezas do oceano próximo à costa da América do Sul.

Durante o El Niño, esses ventos enfraquecem ou apresentam mudanças em seu padrão. Como consequência, as águas quentes se deslocam para o centro e o leste do Pacífico, alterando a circulação atmosférica e a distribuição das áreas de formação de nuvens e chuva.

Essas mudanças podem influenciar o clima em diferentes partes do mundo. Por isso, o fenômeno não se resume ao aquecimento do oceano: ele envolve uma série de alterações que afetam os padrões de temperatura, vento e precipitação.

Como o pico do El Niño pode afetar São Paulo?

Os efeitos do El Niño variam conforme a época do ano e as características de cada região. No Brasil, o fenômeno costuma estar associado a maior probabilidade de chuvas intensas no Sul, enquanto partes do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos. No Sudeste, os impactos são mais variáveis e dependem também de outros sistemas meteorológicos.

Em São Paulo, a atenção se volta principalmente para a distribuição das chuvas e as temperaturas ao longo dos próximos meses. Entretanto, não é possível afirmar que todo o estado enfrentará temporais, enchentes ou calor extremo apenas com base na intensidade do El Niño.

A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para outubro de 2026 indica possibilidade de chuvas acima da média histórica em áreas do estado de São Paulo e em outras partes do Sul e do Sudeste. Esse cenário, porém, corresponde à previsão mensal e não deve ser interpretado como uma confirmação dos impactos do El Niño durante todo o verão.

Além disso, a capital paulista, o interior e o litoral podem registrar condições diferentes. A ocorrência de frentes frias, áreas de baixa pressão e outros sistemas atmosféricos também influencia o tempo e pode intensificar ou reduzir os efeitos esperados.

Quais regiões do Brasil merecem atenção?

O El Niño pode favorecer diferentes condições climáticas conforme a região do país. No Sul, há maior probabilidade de períodos com chuva acima da média, o que pode elevar o risco de alagamentos e enchentes quando os volumes são elevados e persistentes.

Em partes do Norte e do Nordeste, o fenômeno pode favorecer a redução das chuvas e o aumento do risco de estiagem. Já no Centro-Oeste e no Sudeste, os resultados variam de acordo com a época do ano e a atuação de outros sistemas meteorológicos.

Mesmo diante de uma previsão de El Niño forte, os impactos dependem da evolução do fenômeno e das condições atmosféricas locais. Por isso, os boletins sazonais precisam ser acompanhados junto às previsões atualizadas dos órgãos meteorológicos brasileiros.

Como se proteger dos efeitos do El Niño?

Como o fenômeno pode contribuir para eventos climáticos extremos, a população deve acompanhar os alertas emitidos pela Defesa Civil e pelos órgãos de meteorologia. A preparação é especialmente importante em áreas vulneráveis a alagamentos, enchentes e deslizamentos de terra.

Confira os principais cuidados:

  • Em áreas de encosta: observe sinais como rachaduras em paredes e no terreno, inclinação de árvores e postes e surgimento de água no solo.
  • Em locais com histórico de alagamentos: evite atravessar ruas inundadas e não tente passar por áreas cobertas pela água.
  • Próximo a rios e córregos: acompanhe o nível da água e respeite as orientações de evacuação das autoridades.
  • Durante períodos de calor intenso: mantenha-se hidratado, procure ambientes frescos e redobre a atenção com crianças, idosos e pessoas vulneráveis.
  • Em regiões sujeitas à estiagem e a incêndios: acompanhe os avisos oficiais e evite práticas que possam provocar queimadas.

O avanço do El Niño exige atenção, mas não significa que todos os efeitos previstos ocorrerão necessariamente. A intensidade do fenômeno, as condições regionais e a evolução dos sistemas meteorológicos vão determinar o cenário climático dos próximos meses.

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